Meditação

“Seu progresso deve ser observado em seus relacionamentos. O relacionamento é o espelho: dá para ver seu rosto ali. Deve-se lembrar sempre que o relacionamento é o espelho. Se a meditação for profunda, os relacionamentos vão se tornar diferentes, totalmente diferentes! O amor será a nota básica dos relacionamentos, e não a violência. Como está, a violência é a nota básica. Mesmo que a pessoa apenas olhe para alguém, esse olhar é violento. Mas a pessoa está acostumada a isso. A meditação para mim não é uma brincadeira de criança, mas uma transformação profunda. Como conhecer essa transformação? É refletida a cada momento nos relacionamentos. Se uma pessoa tenta possuir alguém, então essa pessoa é violenta. Como pode uma pessoa possuir alguém? Se uma pessoa tenta dominar alguém, então essa pessoa é violenta. Como pode uma pessoa dominar outra? O amor não pode ser dominado, o amor não pode ser possuído. Portanto, a pessoa deve ficar atenta e observar tudo o que estiver fazendo e, então, dar prosseguimento à meditação. Em breve vai começar a sentir a mudança. Agora, não existe possessividade nos relacionamentos. Aos poucos, ela desaparece, e quando não estiver mais lá, o relacionamento terá uma beleza própria. Quando a possessividade está lá, tudo se torna sujo, feio, desumano. E as pessoas são tão enganadoras que não olham para si mesmas nos relacionamentos, pois lá a verdadeira face pode ser vista. Portanto, fecham os olhos para seus relacionamentos e continuam a achar que algo vai ser visto por dentro. Você não pode ver nada por dentro. Isso porque, primeiro, você vai sentir sua transformação interior nos relacionamentos externos, para daí então ir fundo. Só depois é que vai começar a sentir algo interiormente. Portanto, aprofunde-se, penetre em seus relacionamentos, e observe-os para verificar se a meditação está progredindo ou não. Se você sente um amor crescente, um amor incondicional, uma compaixão sem motivo, uma profunda preocupação com a saúde e com o bem-estar de todos, é porque a meditação está progredindo. Portanto, deve esquecer todas as outras coisas. Com essa observação, vai passar a observar muitas coisas em si mesmo. Ficará mais em silêncio e menos agitado por dentro. Quando houver necessidade, falará; quando não houver necessidade, ficará em silêncio. Como é o caso neste momento: não pode estar em silêncio interiormente. Vai se sentir mais à vontade, mais relaxado. Qualquer coisa que esteja fazendo, será um esforço relaxado, não haverá tensão. Vai ficar cada vez menos ambicioso. Por fim, não haverá nenhuma ambição. Até mesmo a ambição de alcançar o moksha (termo hindu que se refere à libertação do ciclo do renascimento e da morte e à iluminação espiritual) não vai estar lá. Quando a pessoa sente que até o desejo de alcançar o moksha desapareceu, é porque alcançou o moksha. Agora ela está livre, pois o desejo é uma escravidão. Até mesmo o desejo de libertação é uma escravidão. E até o desejo de não ter desejo é uma escravidão. Sempre que o desejo por algo desaparece, a pessoa se move em direção ao desconhecido. A meditação chegou ao seu fim. Daí então sansar (mundo) é moksha: esse mesmo mundo é a libertação. Então esta margem é a outra margem.”

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