Você pode ter observado — pode ser que a observação não tenha sido muito aguda, profunda e penetrante, mas deve ter observado — observado num estado nebuloso de mente, vago, sombrio, esfumaçado, mas deve ter observado que você sempre comete o mesmo tipo de erro, repetidamente. Que tristeza! Você nem pode inventar erros novos. Que pouco original e medíocre estado de mente! Hã? — você nem pode inventar novos erros para cometer, e continua cometendo os mesmos erros. Você é como uma vitrola quebrada. Ela continua repetindo a mesma linha outra, outra e outra vez.Já observou que você continua a cometer o mesmo erro? — nos relacionamentos, no amor, na amizade, no trabalho, você continua a cometer o mesmo erro. E continua a ter esperanças de que desta vez as coisas serão diferentes. Elas nunca serão — porque você é o mesmo.
Como as coisas podem ser diferentes? Você está tendo esperanças contra a esperança. Mas a mente é estúpida. Você continua esperando, e sabe muito bem, lá no fundo, que isto não é possível, porque você vai frustrar. Você se apaixona e tudo é tão romântico, tão poético. Mas esta não é a primeira vez que isso acontece. Já aconteceu muitas vezes. Muitas vezes você se apaixonou e muitas vezes o mundo foi poético e romântico. E o mundo se tornou um sonho e tudo era lindo — e depois tudo ficou feio. A mesma beleza se tornou feia, o mesmo sonho se tornou um pesadelo, o mesmo céu se tornou um inferno. E tem sido assim repetidamente.Mas você se apaixonará outra vez e novamente se esquecerá — e o mesmo acontecerá! Você é uma repetição, e a menos que pare de ser repetitivo, não existe possibilidade de mudança.
Como é que se pode parar esta repetição? Primeiro, é preciso compreender que ela está presente. Esse é o passo básico. É preciso compreender que esta repetição está aí. Você está funcionando como um autômato, não como uma pessoa — exatamente como um mecanismo, repetindo. A pessoa nasce em você somente quando você não é mais uma máquina, quando você começa a se mover de maneiras novas, a se mover em novos caminhos, a caminhar em direção ao desconhecido. Você sempre se move dentro do conhecido: faz de novo o mesmo que já havia feito, e fica cada vez mais hábil em fazê-lo, fica perito em cometer os mesmos erros outra e outra vez. Você se torna previsível.Nenhum ser humano, se é realmente um ser humano, pode ser previsível. A astrologia existe —jyotish existe — por causa de sua vida mecânica; caso contrário, ninguém poderia prever o momento seguinte. Mas ele pode ser predito. De dez mil pessoas, nove mil novecentas e noventa e nove são previsíveis.
Assim, a primeira coisa a compreender é que você é uma repetição. Será muito terrível para o ego, porque você sempre pensou que fosse original; você não é. A mente nunca é original. Ela é sempre medíocre, porque a própria estrutura da mente é o acúmulo de conhecido.