Os filhos dos homens

O que são os filhos dos homens senão folhas que caem ao sopro do vento? Tal como folhas eram aqueles teus queridos filhos; folhas também são as multidões, aquelas vozes pretensamente convincentes que gritam as suas aclamações, lançam as suas maldições ou zombam e escarnecem às escondidas; folhas também são todos aqueles em cujas mãos ficará a tua reputação daqui para a frente. Todos e cada um, eles «florescem na primavera», os ventos fazem-nos cair e logo a floresta põe nova verdura no seu lugar. A impermanência é o distintivo de todos e cada um; e, contudo, tu persegue-los ou foges deles, como se eles tivessem que sofrer para toda a eternidade. Dentro em pouco, os teus olhos fechar-se-ão; e pelo homem que te levar à sepultura, também pouco depois as lágrimas correrão.”

Poderão os deuses, que tão bem e tão benevolentemente conceberam tudo o resto, ter descurado o facto de que até os homens virtuosos, homens na mais íntima consonância com o divino e que vivem em íntima união com ele pelas suas boas acções e devoção, não conheçam um renascimento depois da morte, mas estejam condenados à completa extinção? Todavia, se é este, de facto, o seu destino, podem ficar certos de que se tivesse havido necessidade de diferente plano, isso assim teria sido organizado; se isso estivesse de acordo com a Natureza, a Natureza tê-lo-ia realizado assim. Portanto, não sendo assim (se na verdade não for assim), podes confiar em absoluto que não devia ser assim. Compreendes certamente que ao levantar questões inúteis como esta estás a inculpar a divindade? Porque, será que discutiríamos o assunto com os deuses se eles não fossem superiormente bons e justos? E se o são, como é que eles alguma vez permitiriam que alguma coisa fosse injusta ou insensatamente descurada nas suas determinações para o universo?”

Que pequena fracção de todo o tempo incomensurável e infinito nos é destinado a cada um; um instante, e desaparece na eternidade. Que ínfima, também, é a tua porção de toda a substância do mundo; que insignificante o teu quinhão da alma de todo o mundo; em que ponto miniatural de toda a terra tu rastejas. Ao pensares nestas coisas, convence-te de que nada tem qualquer importância salvo o fazer aquilo que a tua natureza te ordena e suportar aquilo que a Natureza do mundo te envia.”

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